---
title: "DAI: Como Funciona a Stablecoin do Maker | Ethereum IA"
url: "https://ethereum.ia.br/blog/dai-stablecoin-descentralizada-como-funciona/"
markdown_url: "https://ethereum.ia.br/blog/dai-stablecoin-descentralizada-como-funciona.MD"
description: "Entenda como funciona o DAI, stablecoin descentralizada do Maker: vaults, colateral, oráculos, a migração para USDS/Sky, riscos e obrigações fiscais no Brasil."
date: "2026-09-17"
author: "Equipe Ethereum IA"
---

# DAI: Como Funciona a Stablecoin do Maker | Ethereum IA

Entenda como funciona o DAI, stablecoin descentralizada do Maker: vaults, colateral, oráculos, a migração para USDS/Sky, riscos e obrigações fiscais no Brasil.


**DAI é uma stablecoin descentralizada emitida por protocolo, não por empresa: em vez de confiar em reservas em banco, o usuário depende de cofres (vaults) sobrecolateralizados, oráculos de preço e governança on-chain.** Essa estrutura reduz o risco de emissor e de congelamento unilateral, mas troca por riscos de [smart contract](/glossario/smart-contract/), oráculo, [governança](/glossario/governanca/) e colateral. Comparado a USDT e USDC, o DAI não é "mais seguro" — é um conjunto de riscos diferente.

| Pergunta | Resumo educativo |
|---|---|
| Quem emite? | O protocolo Maker, hoje ecossistema Sky |
| Como nasce? | Geração de dívida contra colateral travado em vault |
| O que sustenta a paridade? | Sobrecolateralização, oráculos, arbitragem e módulos de estabilidade |
| Risco central | Contratos, oráculos, governança e qualidade do colateral |
| Versão nova | USDS, com conversão planejada de 1:1 com DAI |
| No Brasil | Sujeito a regras de informação da IN RFB 1.888/2019 |

Este artigo é educativo. Ele não recomenda comprar, vender, guardar, emprestar ou usar DAI, USDS, USDT, USDC ou qualquer stablecoin, e não constitui aconselhamento financeiro, jurídico, tributário ou de investimento. Ativos virtuais podem sofrer perda de paridade e perda total do capital.

*As informações têm caráter exclusivamente educacional. Criptoativos envolvem riscos elevados e não contam com proteção como o FGC. Consulte a documentação oficial do protocolo e profissionais habilitados para decisões concretas.*

## O que é DAI

DAI é um [token ERC-20](/glossario/erc-20/) lançado em 2017 pelo MakerDAO com o objetivo de replicar o valor do dólar sem depender de um emissor central. Ele pertence à categoria de stablecoins descentralizadas, uma das famílias descritas no nosso guia de [stablecoins e seus tipos](/blog/stablecoins-o-que-sao-tipos/).

A diferença estrutural para as stablecoins fiduciárias está na origem do valor:

- **USDT e USDC** são emitidos por empresas contra reservas declaradas de dólares e títulos de curto prazo. O usuário confia no emissor, no banco custodiante e nos relatórios de reservas. Detalhes no comparativo de [USDT vs USDC](/blog/usdt-vs-usdc-diferencas-brasil/).
- **DAI** é gerado por contratos do protocolo Maker quando um usuário trava colateral em um cofre. A emissão é um ato de [DeFi](/glossario/defi/), registrado e verificável na blockchain, não uma promessa corporativa.

Essa descentralização é relativa e não absoluta. Parte relevante do colateral e dos mecanismos de paridade historicamente usou stablecoins centralizadas, e a governança do protocolo concentra decisões em detentores de tokens. A pergunta útil para o leitor não é "DAI é descentralizado?", mas "em quem ou em que eu confio quando uso DAI?".

## Como o DAI é criado: vaults e colateral

O mecanismo central é o **vault** (cofre), antes chamado de CDP. O fluxo básico funciona assim:

1. O usuário conecta sua [carteira](/glossario/wallet/) ao protocolo e deposita colateral aceito, como ETH ou outro ativo aprovado pela governança.
2. O protocolo calcula quanto DAI pode ser gerado com base na proporção mínima de colateralização, que varia por tipo de ativo.
3. O usuário gera DAI, que passa a circular como qualquer [token](/glossario/token/) Ethereum.
4. Para recuperar o colateral, o usuário devolve o DAI gerado mais a **taxa de estabilidade**, uma taxa de juros acumulada sobre a dívida.
5. Se o valor do colateral cai abaixo do mínimo, o vault é liquidado: o colateral é vendido em leilão para cobrir a dívida e proteger a solvência do sistema.

Dois conceitos sustentam a segurança do sistema:

- **Sobrecolateralização**: o valor travado em garantia supera o valor do DAI gerado. Isso cria uma margem de absorção antes que a dívida fique descoberta.
- **Leilões de liquidação**: quando um vault fica inadimplente, o protocolo leiloa o colateral. O modelo acumulou [TVL](/glossario/tvl/) expresso ao longo dos anos e é um dos mais antigos em operação contínua no [DeFi](/blog/defi-explicado-guia-completo/).

O raciocínio econômico é semelhante ao de um [empréstimo com garantia em criptomoeda](/blog/emprestimo-garantia-criptomoeda-brasil/): quem gera DAI não está "comprando dólares", está tomando crédito contra o próprio patrimônio on-chain. Quem apenas usa DAI recebido de outra pessoa não depende de vault, mas herda os riscos do sistema como um todo.

## Como a paridade com o dólar é mantida

Uma stablecoin só é útil se o mercado acreditar que ela vale aproximadamente um dólar. No DAI, essa ancoragem vem de quatro forças combinadas:

### 1. Oráculos de preço

O protocolo consulta [oráculos](/glossario/oracle/) que reportam preços de mercado do colateral e do próprio DAI, de forma semelhante ao papel descrito no nosso artigo sobre [oráculos e Chainlink](/blog/oracles-blockchain-chainlink/). Sem preços confiáveis, o cálculo de colateralização e de liquidação não funciona. O oráculo é, portanto, um ponto crítico de confiança e de ataque.

### 2. Incentivos de oferta e procura

Quando o DAI negocia acima de um dólar, gerar DAI novo fica atraente: o usuário trava colateral, vende o DAI caro e lucra com o desvio. Quando negocia abaixo, devolver DAI barato para liberar colateral encolhe a oferta. Essa arbitragem empurra o preço de volta para a paridade, o mesmo mecanismo de oferta descrito no caso de [stablecoins que perderam a paridade](/blog/stablecoin-perdeu-paridade-depeg-o-que-fazer/).

### 3. Taxa de poupança

O protocolo oferece uma taxa de remuneração para quem mantém DAI depositado na poupança do sistema (DSR, hoje Savings Rate no ecossistema Sky). Aumentar a taxa estimula retenção e sustenta a demanda; reduzir faz o oposto. É a principal alavanca de política monetária da [DAO](/glossario/dao/) que governa o protocolo. Rendimento de stablecoin tem tratamento próprio no Brasil, abordado em [rendimento de stablecoins, riscos e imposto](/blog/rendimento-stablecoins-brasil-riscos-imposto-2026/).

### 4. Módulo de estabilidade

O PSM (Peg Stability Module) permite trocar DAI por outras stablecoins, historicamente USDC, em proporção fixa e taxa mínima. Essa âncora pratica a paridade, mas cria uma contradição conhecida: uma parte da "descentralização" do DAI fica exposta a um ativo emitido por empresa, sujeito a congelamento.

Nenhum desses mecanismos é garantia. Em março de 2020, no chamado "Black Thursday", uma queda abrupta do ETH congestionou a rede, leilões de liquidação falharam em cobrir dívidas e o DAI negociou temporariamente abaixo da paridade. O sistema sobreviveu e foi ajustado, mas o episódio é lembrado como demonstração prática de que paridade é um objetivo administrado, não uma lei física.

## DAI na prática: como verificar antes de usar

Antes de interagir com qualquer stablecoin, o usuário brasileiro pode seguir uma rotina simples de verificação:

1. **Confirme o endereço do contrato.** Existe DAI falso, como existe [token falso](/blog/token-falso-ethereum-como-verificar-contrato/) de qualquer projeto. Use o [Etherscan](/blog/tutorial-ler-etherscan/) para conferir o contrato oficial, o número de holders e a idade do token.
2. **Cheque a rede correta.** DAI circula no Ethereum e em redes compatíveis via bridges, mas enviar para a rede errada gera os problemas descritos em [cripto na rede errada](/blog/cripto-rede-errada-endereco-errado-brasil/). Em Layer 2, o mesmo raciocínio de [mover USDT e USDC sem ETH para gas](/blog/sem-eth-gas-mover-usdt-usdc-layer-2/) se aplica ao DAI.
3. **Revise permissões antes de aprovar.** Emprestar ou fornecer DAI em pool exige aprovação de gasto, tema do guia sobre [aprovações de token ERC-20 e como revogar](/blog/aprovacoes-token-erc20-revogar-permissoes/).
4. **Simule e calibre.** Em trocas por [DEX](/glossario/dex/), use [simulação de transações](/blog/simulacao-transacoes-carteira-ethereum-brasil/) e controle o [slippage](/blog/slippage-dex-ethereum-brasil/), como em qualquer swap — o tutorial do [primeiro swap no Uniswap](/blog/tutorial-primeiro-swap-uniswap/) serve de base.
5. **Separe funções.** Muitos usuários mantêm stablecoins de trabalho em uma carteira e patrimônio em autocustódia fria, padrão discutido em [carteiras separadas e allowlist](/blog/carteiras-separadas-allowlist-limites-ethereum-brasil/).

Fornecer DAI em pools de liquidez adiciona o [risco de perda impermanente](/blog/impermanent-loss-explicado/) e outros riscos de contrato que não existem em simplesmente manter o token parado.

## DAI vs USDT vs USDC: riscos comparados

| Critério | DAI | USDT (Tether) | USDC (Circle) |
|---|---|---|---|
| Emissor | Protocolo Maker/Sky | Empresa privada | Empresa privada |
| Lastro declarado | Colateral em vaults on-chain | Reservas em dólar e títulos | Reservas em dólar e títulos |
| Congelamento por terceiros | Não aplicável ao token base | Possível pelo emissor | Possível pelo emissor |
| Risco principal | Contrato, oráculo, governança, colateral | Emissor, custódia, auditoria | Emissor, custódia, regulatório |
| Transparência típica | Dados on-chain verificáveis | Attestations e relatórios | Attestations e relatórios |
| Histórico de desvio | Sim, episódios pontuais | Sim, episódios pontuais | Sim, episódio de 2023 |

A tabela resume diferenças educacionais, não uma classificação de qualidade. Para decisões de pagamento e remessas, muitos brasileiros comparam stablecoins com o Pix, leitura disponível em [Pix vs criptomoedas](/blog/pix-vs-criptomoedas-comparacao/). Para aquisição com reais, o processo é o mesmo do guia de [como comprar USDT no Brasil](/blog/como-comprar-usdt-brasil-guia/), adaptado ao par escolhido.

## A transição para USDS e o ecossistema Sky

Em 2024, o MakerDAO iniciou uma rebrandização do ecossistema para **Sky**, acompanhada do lançamento do **USDS**, uma versão atualizada do DAI, e do **SKY**, sucessor do token de governança MKR. Os pontos centrais da transição anunciados foram:

- conversão planejada de 1 DAI para 1 USDS, sem prazo final obrigatório para usuários comuns;
- funcionalidades adicionais ligadas à poupança e à experiência de uso do USDS;
- planos de migração de infraestrutura, incluindo discussões sobre uma futura cadeia dedicada do ecossistema.

O DAI continuou circulando e sendo aceito em [protocolos de DeFi](/blog/defi-explicado-guia-completo/), inclusive como ativo de operações de empréstimo em plataformas como as descritas no guia de [empréstimos na Aave](/blog/aave-emprestimos-defi-como-funciona/). Detalhes de cronograma, taxas e rotinas de migração mudaram ao longo do processo e seguem sob controle da governança — por isso, antes de converter, movimentar ou depositar, confira o estado atual na documentação oficial do ecossistema (MakerDAO ou Sky), listada nas fontes deste artigo.

Para o usuário, o ponto educacional é outro: rebrandings e migrações são eventos de risco operacional. Endereços de contrato mudam, sites falsos aparecem e golpes de "phishing de migração" se multiplicam nesses períodos, um padrão recorrente nos alertas sobre [golpes com criptomoedas](/blog/golpes-cripto-como-evitar/).

## Principais riscos do DAI

- **Risco de contrato**: bugs ou explorações nos contratos do protocolo, mitigados por auditorias e tempo de operação, nunca eliminados.
- **Risco de oráculo**: preços manipulados ou atrasados afetam colateralização e liquidações.
- **Risco de governança**: detentores dos tokens de governança podem alterar parâmetros, taxas e tipos de colateral aceitos, com efeitos sobre todos os usuários.
- **Risco de colateral**: uma parcela do lastro pode ser composta por ativos centralizados, reintroduzindo risco de emissor no sistema "descentralizado".
- **Risco de paridade**: o histórico do mercado mostra que stablecoins de todos os modelos já negociaram fora da paridade; o guia sobre [depeg e o que fazer](/blog/stablecoin-perdeu-paridade-depeg-o-que-fazer/) resume sinais e atitudes prudentes.
- **Risco de ponte**: DAI em redes secundárias depende de bridges, uma das categorias mais exploradas historicamente, como discutido nas [diferenças entre LayerZero, Stargate e Wormhole](/blog/layerzero-stargate-wormhole-diferencas-riscos/).

## Contexto regulatório e fiscal no Brasil

O DAI não deixa de ser ativo virtual porque é descentralizado. Três referências estruturam o tratamento brasileiro:

1. **Lei 14.478/2022** — o marco legal dos ativos virtuais define deveres para prestadores de serviços, sob competência regulatória do Banco Central, e deixa claro que criptoativo não é moeda de curso legal no país. O quadro geral está no panorama de [regulação de cripto no Brasil](/blog/regulacao-cripto-brasil-2026/).
2. **CVM Parecer de Orientação 40** — criptoativos podem ser considerados ativos financeiros e, dependendo da estrutura de oferta, sujeitos à legislação de valores mobiliários. Produtos que prometem rendimento sobre stablecoins merecem atenção redobrada.
3. **IN RFB 1.888/2019** — disciplina obrigações de informação sobre operações com criptoativos e a declaração de criptoativos em hipóteses previstas, inclusive em poder de [autocustódia](/blog/custodia-qualificada-autocustodia-ethereum-brasil/). O guia de [declaração de criptomoedas no imposto de renda](/blog/declarar-criptomoedas-imposto-renda/) detalha o que registrar: datas, quantidades, valores em reais e comprovantes on-chain.

Rendimentos de taxa de poupança e ganhos de venda têm potencial de incidência tributária e o registro contábil correto dos hashes é o que permite comprovar a operação depois, tema do artigo sobre [comprovantes on-chain e contabilidade](/blog/comprovante-on-chain-contabilidade-cripto-brasil/).

## Checklist antes de usar DAI

- Confirmei o endereço oficial do contrato no explorador?
- Estou na rede correta, com gas previsto para a operação?
- Revisei e limito as aprovações de gasto da carteira?
- Entendi que paridade com o dólar não é garantia?
- Sei quais documentos, hashes e valores em reais preciso guardar?
- Separei o valor de uso diário do patrimônio de longo prazo?

## Conclusão

O DAI é a resposta mais antiga e estudada do Ethereum à pergunta "dá para ter uma stablecoin sem confiar em uma empresa?". A resposta do protocolo foi trocar o risco do emissor pelo risco do sistema: vaults sobrecolateralizados, oráculos, leilões e governança on-chain, com a transição recente para USDS e o ecossistema Sky adicionando uma camada de risco operacional de migração. Para o usuário brasileiro, usar DAI com segurança significa verificar contratos, redes e permissões, entender os riscos comparados com USDT e USDC — não assumir que um modelo elimina o outro — e manter os registros exigidos pela Receita Federal.
